Criação do Estado do Amapá (13 de Setembro)
O Amapá celebra anualmente o dia em que Getúlio Vargas o desmembrou do Pará para transformá-lo em Território Federal.
Ficha Técnica
Data Oficial
13 de Setembro
Abrangência
Feriado Estadual
Legislação
Lei Estadual (AP)
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O dia 13 de Setembro marca um dos momentos mais decisivos na história do Amapá: a data em que o então presidente Getúlio Vargas, por meio de um decreto-lei, desmembrou uma vasta porção do território paraense para transformá-la no Território Federal do Amapá. Este ato, ocorrido em 1943, não apenas redefiniu fronteiras geográficas, mas também lançou as bases para a construção de uma identidade política e cultural própria, culminando na elevação do Amapá à categoria de estado em 1988.
Anualmente, o 13 de Setembro é celebrado como o feriado de Criação do Amapá. Esta data, de profundo significado histórico e cívico, movimenta as comemorações em todo o estado, reforçando o sentimento de pertencimento e orgulho regional. Além de seu valor simbólico, o feriado gera implicações diretas nas rotinas trabalhistas, comerciais e de prestação de serviços, exigindo atenção às normativas legais e convenções coletivas.
As Origens e o Contexto Histórico da Criação
Para compreender a criação do Território Federal do Amapá, é fundamental mergulhar no cenário político e geopolítico do Brasil e do mundo na década de 1940. O Brasil vivia sob a égide do Estado Novo (1937-1945), regime ditatorial liderado por Getúlio Vargas, caracterizado por um forte centralismo político, nacionalismo e um projeto de desenvolvimento que visava integrar e "nacionalizar" as vastas regiões de fronteira do país.
O Amapá antes de 1943: Uma Região Estratégica e Esquecida
Antes de 1943, o Amapá era uma extensa e remota porção do estado do Pará, com uma população esparsa e predominantemente indígena e cabocla. Sua localização geográfica, na foz do Rio Amazonas e com fronteiras com as Guianas Francesa e Holandesa (atual Suriname), conferia-lhe uma importância estratégica inegável, especialmente em um contexto de guerra mundial. A região era rica em recursos naturais, como ouro, castanha-do-pará e, futuramente, o manganês da Serra do Navio, mas carecia de infraestrutura e de uma presença efetiva do poder público. A administração a partir de Belém, capital do Pará, era distante e ineficaz para as necessidades locais, o que resultava em um desenvolvimento desigual e na marginalização da área.
A Marcha para o Oeste e a Segunda Guerra Mundial
A política de Vargas, conhecida como "Marcha para o Oeste", buscava a ocupação e o desenvolvimento do interior do Brasil, com o objetivo de fortalecer a soberania nacional e explorar os recursos naturais. Nesse contexto, a criação de Territórios Federais era uma ferramenta para exercer controle direto da União sobre áreas consideradas estratégicas ou de difícil administração pelos estados.
A eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) intensificou a necessidade de controle sobre as fronteiras e os recursos naturais. O Brasil, que inicialmente manteve uma posição de neutralidade, alinhou-se aos Aliados em 1942. A região amazônica, com sua borracha vital para o esforço de guerra aliado (a "Batalha da Borracha"), e sua posição estratégica no Atlântico, tornou-se um ponto focal. A criação de territórios federais na Amazônia, como o Amapá, o Guaporé (atual Rondônia) e o Rio Branco (atual Roraima), visava garantir a segurança nacional, a exploração eficiente de recursos e a defesa contra possíveis incursões inimigas, além de promover a integração dessas áreas ao projeto nacional.
O Decreto-Lei e os Primeiros Anos do Território
O Decreto-Lei nº 5.812, assinado por Getúlio Vargas, estabeleceu os limites do novo Território Federal do Amapá, desmembrando-o do Pará. A capital foi fixada em Macapá, que até então era uma pequena vila. O primeiro governador nomeado foi o Capitão Janary Gentil Nunes, que desempenhou um papel crucial na estruturação administrativa e no desenvolvimento inicial do território, impulsionando a exploração do manganês na Serra do Navio e a construção de infraestrutura básica, como estradas, portos e escolas. A criação do território representou um marco na busca por autonomia e desenvolvimento para a região, que antes se sentia marginalizada e com pouca representatividade política.

Símbolos e arte relacionados ao dia comemorativo da Criação do Amapá.
Impacto Cultural e Social no Amapá
A criação do Território Federal do Amapá foi um divisor de águas para a população local. O que antes era uma área periférica do Pará, passou a ter sua própria administração, seus próprios projetos de desenvolvimento e, mais importante, a forjar uma identidade amapaense distinta.
A Construção da Identidade Amapaense
O feriado de 13 de Setembro é uma oportunidade para os amapaenses celebrarem sua história de luta, resiliência e progresso. As comemorações cívicas, que incluem desfiles militares e estudantis, hasteamento de bandeiras e discursos de autoridades, reforçam o patriotismo local e o orgulho de pertencer a um estado que conquistou sua autonomia. Escolas e instituições promovem eventos que contam a história do território e do estado, educando as novas gerações sobre a importância da data e os desafios superados.
Além dos aspectos cívicos, a data é marcada por manifestações culturais que expressam a riqueza e diversidade do Amapá. Festivais de música, dança, gastronomia e artesanato são comuns, celebrando a cultura cabocla, indígena e afro-brasileira que compõe a identidade amapaense. É um dia para valorizar os artistas locais, as tradições culinárias (como pratos à base de peixes amazônicos, camarão no bafo e açaí) e as manifestações folclóricas, como o Marabaixo e o Batuque, que são únicas da região e representam a fusão de diferentes influências culturais.
Regras Trabalhistas e Legais Atuais sobre o Feriado
O feriado de 13 de Setembro, que celebra a Criação do Amapá, é um feriado de âmbito estadual. Isso significa que ele é reconhecido e observado em todo o território do Amapá, mas não necessariamente em outros estados brasileiros, a menos que haja uma lei municipal específica. As regras trabalhistas para este dia seguem as diretrizes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e legislações complementares.
CLT e os Direitos do Trabalhador
De acordo com a CLT, os feriados são dias de descanso remunerado. Isso significa que, em regra, os trabalhadores não devem prestar serviços e recebem seu salário normalmente, como se tivessem trabalhado.
Para os trabalhadores que, por necessidade da atividade ou por acordo, precisam trabalhar no dia 13 de Setembro, a legislação prevê compensações específicas:
- Remuneração em Dobro: Conforme o Art. 9º da Lei nº 605/49 e o Art. 70 da CLT, o trabalho em feriados civis e religiosos, salvo disposição em contrário de convenção coletiva, deve ser pago em dobro, ou seja, com um adicional de 100% sobre a hora normal.
- Folga Compensatória: Em algumas situações, e mediante acordo ou previsão em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o empregador pode conceder uma folga compensatória em outro dia da semana, em vez do pagamento em dobro. É crucial que essa compensação seja formalizada e respeite os prazos e condições estabelecidos na legislação e nos acordos sindicais.
Funcionamento do Comércio e Serviços
No Amapá, o funcionamento do comércio e de outros serviços no dia 13 de Setembro é geralmente restrito. A maioria dos estabelecimentos comerciais não essenciais, como lojas de rua e shoppings, tende a fechar ou operar em horário reduzido, dependendo das convenções coletivas de cada setor e de possíveis decretos estaduais ou municipais.
Serviços essenciais, como hospitais, prontos-socorros, segurança pública, transporte coletivo, postos de gasolina e algumas farmácias, mantêm suas operações, mas geralmente com equipes reduzidas ou em regime de plantão. Instituições bancárias e órgãos públicos (federais, estaduais e municipais) costumam permanecer fechados, retomando suas atividades no dia útil seguinte. É importante que empresas e consumidores se informem previamente sobre o horário de funcionamento dos estabelecimentos.