Criação de Mato Grosso do Sul (11 de Outubro)
Mato Grosso do Sul tem seu feriado de orgulho estadual no dia 11 de outubro, relembrando a lei complementar de 1977 que gerou o novo estado.
Ficha Técnica
Data Oficial
11 de Outubro
Abrangência
Feriado Estadual
Legislação
Lei Estadual (MS)
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O dia 11 de Outubro marca um dos momentos mais significativos na história de Mato Grosso do Sul: a promulgação da Lei Complementar nº 31, em 1977, que oficializou a divisão do então vasto estado de Mato Grosso e deu origem a uma nova unidade federativa. Este feriado estadual não é apenas uma data no calendário, mas um símbolo de autonomia, identidade e a concretização de um anseio regional que ecoava por décadas, transformando profundamente o cenário político, econômico e cultural do Centro-Oeste brasileiro.
A celebração da Criação do MS é um momento de orgulho para os sul-mato-grossenses, que relembram a jornada de luta e as figuras que moldaram o destino do estado. Além das festividades cívicas e culturais, a data possui implicações diretas nas rotinas trabalhistas e na prestação de serviços, exigindo atenção às normativas legais que regem os feriados estaduais no Brasil.
As Raízes da Separação: Um Século de Ânimos Divisionistas
Para compreender a criação de Mato Grosso do Sul, é fundamental recuar no tempo e entender a complexidade do antigo estado de Mato Grosso. Com uma área que superava a de muitos países europeus, o "Mato Grosso uno" abrangia uma diversidade geográfica e econômica impressionante, desde as planícies alagadas do Pantanal até os chapadões do Cerrado. No entanto, essa vastidão também gerava desafios imensos em termos de administração e desenvolvimento, alimentando um sentimento de distanciamento entre as diferentes regiões.
Desde o início do século XX, e com maior intensidade a partir da década de 1930, vozes no sul do estado começaram a clamar por autonomia. A capital, Cuiabá, localizada no norte, era vista como distante e alheia aos interesses e necessidades da porção sul, que se desenvolvia com base na pecuária extensiva e, posteriormente, na agricultura moderna. A elite sulista, composta por fazendeiros, comerciantes e intelectuais, sentia-se negligenciada em termos de investimentos em infraestrutura, educação e saúde, e acreditava que a separação seria o caminho para um desenvolvimento mais equitativo e focado em suas particularidades.
Motivações Econômicas e Geográficas
As diferenças geográficas eram marcantes. Enquanto o norte se caracterizava por uma economia mais diversificada, com forte presença de garimpo e, mais tarde, expansão agrícola para o cerrado, o sul era dominado pela cultura pantaneira, com sua pecuária tradicional e um modo de vida distinto. A distância física entre as principais cidades do sul, como Campo Grande, Corumbá e Dourados, e a capital Cuiabá, dificultava a comunicação e a gestão administrativa, criando um sentimento de abandono e desarticulação.
Economicamente, o sul do estado, com sua fronteira com o Paraguai e a Bolívia, e sua proximidade com os estados do Paraná e São Paulo, possuía uma dinâmica própria, muitas vezes mais ligada aos grandes centros do Sudeste do que à própria capital estadual. Essa disparidade de interesses e a percepção de que os impostos gerados no sul não retornavam em investimentos proporcionais alimentaram o movimento divisionista, que ganhou força e organização ao longo das décadas, culminando na criação de comissões e na articulação política em Brasília.
A Decisão Política e a Criação do Novo Estado
O contexto político da década de 1970, sob o regime militar, foi crucial para a concretização da divisão. O governo do General Ernesto Geisel (1974-1979) implementava uma política de "descompressão" política gradual e buscava promover o desenvolvimento regional e a integração nacional. A criação de novos estados era vista como uma forma de otimizar a administração territorial e atender a demandas regionais históricas, ao mesmo tempo em que poderia reconfigurar o mapa político e eleitoral do país, diluindo focos de oposição e fortalecendo a base governista.
Após anos de debates, estudos e intensa articulação política por parte das lideranças sulistas, o projeto de divisão finalmente ganhou o apoio do governo federal. Em 11 de Outubro de 1977, o Presidente Ernesto Geisel assinou a Lei Complementar nº 31, que desmembrava o sul de Mato Grosso e criava o estado de Mato Grosso do Sul. A nova capital foi estabelecida em Campo Grande, a "Cidade Morena", que já era o principal polo econômico e cultural da região e possuía a infraestrutura necessária para sediar a administração estadual.

Representação visual da divisão territorial que deu origem a Mato Grosso do Sul em 1977.
A efetiva instalação do novo estado, com a posse do primeiro governador, Harry Amorim Costa, e a formação dos poderes legislativo e judiciário, ocorreu em 1º de janeiro de 1979. Este período de transição foi fundamental para a estruturação das instituições e a consolidação da nova identidade estadual. A criação de Mato Grosso do Sul representou não apenas uma mudança geográfica, mas o nascimento de uma nova entidade política e social, com a promessa de um futuro de maior autonomia e prosperidade para sua população, que agora tinha um governo mais próximo de suas realidades.
Impacto Cultural e Social: A Construção de uma Identidade
A divisão territorial teve um impacto profundo na formação da identidade sul-mato-grossense. Longe de ser apenas uma linha no mapa, a criação do estado catalisou um sentimento de pertencimento e orgulho regional. A cultura pantaneira, com suas raízes na pecuária, na música de fronteira (como a polca, a guarânia e o chamamé) e no hábito do tereré, tornou-se um pilar fundamental dessa nova identidade, diferenciando-se e ao mesmo tempo complementando a cultura do "irmão" Mato Grosso.
As celebrações de 11 de Outubro são marcadas por eventos cívicos, desfiles e manifestações culturais que exaltam a história, as belezas naturais e a diversidade do povo sul-mato-grossense. Escolas, prefeituras e organizações locais promovem atividades que visam educar as novas gerações sobre a importância da data e os valores que fundamentam o estado. É um dia para refletir sobre o passado, celebrar o presente e projetar o futuro de Mato Grosso do Sul, reconhecendo a contribuição de seus pioneiros e líderes.
A relação com o "irmão" Mato Grosso, embora inicialmente marcada por algumas tensões e ajustes administrativos, evoluiu para uma convivência de respeito e cooperação. Ambos os estados, hoje, compartilham uma história comum e desafios regionais, buscando o desenvolvimento conjunto do Centro-Oeste brasileiro e valorizando suas particularidades culturais e econômicas.
Regras Trabalhistas e Legais do Feriado
O dia 11 de Outubro é um feriado estadual em Mato Grosso do Sul, instituído pela Lei Estadual nº 983, de 21 de dezembro de 1989, que "Declara feriado estadual o dia 11 de outubro, data da criação do Estado de Mato Grosso do Sul". Como tal, ele segue as diretrizes gerais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para feriados, que visam proteger o direito ao descanso do trabalhador.
Direitos dos Trabalhadores
De acordo com a CLT (Art. 70 e 9º), os feriados civis e religiosos são dias de repouso remunerado. Isso significa que, em regra, os trabalhadores têm direito a folgar sem prejuízo de seu salário. Para aqueles que, por necessidade de serviço, são convocados a trabalhar neste dia, aplicam-se as seguintes regras:
Remuneração em Dobro: O trabalho prestado em feriados deve ser pago em dobro, sem prejuízo do repouso semanal remunerado, conforme o Art. 9º da CLT e a Súmula 146 do TST.
Folga Compensatória: Alternativamente, pode ser concedida uma folga compensatória em outro dia da semana, desde que haja acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, garantindo que o trabalhador tenha seu descanso semanal e o descanso do feriado.
Setores Essenciais e Comércio
Alguns setores, considerados essenciais, como saúde, segurança, transporte público e serviços de utilidade pública, podem ter regimes de trabalho diferenciados, com escalas e compensações específicas, conforme previsto em lei ou em acordos coletivos de suas categorias. A continuidade desses serviços é vital para a sociedade, mesmo em dias de feriado.
Para o comércio em geral, a abertura em feriados estaduais é regulamentada por legislação específica e, frequentemente, por convenções coletivas de trabalho. É comum que a abertura de estabelecimentos comerciais dependa de autorização municipal ou de acordos com os sindicatos dos comerciários, que estabelecem as condições para o trabalho em feriados, incluindo a remuneração e a concessão de folgas, visando proteger os direitos dos trabalhadores do setor.
A Emenda com Nossa Senhora Aparecida
Um aspecto particular do feriado de 11 de Outubro é sua proximidade com o feriado nacional de 12 de Outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças. Essa sequência de datas frequentemente resulta em um "feriadão" prolongado em Mato Grosso do Sul, proporcionando um período estendido de descanso e lazer para a população. Essa "ponte" entre os dois feriados impulsiona o turismo interno e externo, movimentando a economia local, especialmente em cidades com atrativos naturais como Bonito e o Pantanal, que recebem um grande fluxo de visitantes.
A Criação de Mato Grosso do Sul é mais do que um feriado; é a celebração da resiliência, da visão e da capacidade de um povo em construir seu próprio caminho. É um dia para honrar a história e reafirmar o compromisso com o futuro de um estado vibrante e cheio de potencial, que soube transformar desafios em oportunidades.